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Teoria Clássica da Administração – Henri Fayol

Jules Henri FayolFoi o francês Jules Henri Fayol(1841-1925), engenheiro de minas de formação, que fundou a Teoria Clássica da Administração, numa era de transição do capitalismo liberal para os grandes monopólios nos EUA. Sua teoria está exposta no livro Administration Industrielle et Générale(1916), de sua autoria.

Sua abordagem veio a substituir o enfoque analítico e concreto de Taylor(autor da Teoria da Administração Científica) por uma visão sintética, global e universal.

Em sua visão, Fayol propõe a síntese de que os diferentes órgãos da empresa constituem sua estrutura organizacional, suas relações e funções dentro de um todo.


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A Teoria Clássica da Administração surge de duas principais necessidades

  1. O crescimento acelerado e desorganizado das empresas, com algumas complexidades que exigiam a substituição do empirismo e da improvisação, dominantes até então.
  2. Necessidade de aumentar a eficiência e a competência das organizações, para obter o melhor retorno possível dos recursos empregados, para fazer frente à concorrência acirrada entre as empresas da época.

A teoria de Fayol sustenta que toda empresa possui seis funções básicas

  1. Funções técnicas – Ligadas à produção de bens e serviços;
  2. Funções comerciais – Compra, venda e permuta;
  3. Funções financeiras – Gestão de capitais;
  4. Funções de segurança – Preservação e proteção de bens e pessoas;
  5. Funções contábeis – Balanços, registros, custos, inventários, etc;
  6. Funções administrativas – Coordenação das demais funções.

Atualmente, as empresas, no geral, possuem uma estrutura parecida, porém com algumas mudanças. Entre elas: as funções comerciais englobam o marketing e vendas; as funções contábeis, foram incorporadas ao setor financeiro; e as funções de segurança, se encaixam em uma nova função, o RH. Contudo, as mudanças continuam e cada empresa adapta seus setores da melhor maneira possível, de acordo com a sua cultura organizacional.

É importante ressaltar que neste esquema de Fayol, nenhuma das primeiras cinco funções possuem autonomia para realizar ou apontar os rumos das empresas. Esta atribuição fica a cargo da função, a partir de agora, chamada de Administração.

Fayol define o ato de administrar, portanto, o trabalho do administrador, em cinco funções

  1. Prever – O administrador tem a função de vislumbrar cenários futuros e projetar planos de ação adequados para atravessá-lo, provisionando recursos para tal;
  2. Organizar – Gerenciar o duplo organismo material e social da empresa;
  3. Comandar – Orientar pessoas e dirigir os processos;
  4. Coordenar – Harmonizar esforços para a execução dos planos;
  5. Controlar – Verificar que tudo ocorra dentro das regras e planos estabelecidos.

Estas funções não estavam restritas apenas à alta cúpula da organização. Todos os administradores, em todos os níveis, a saber, diretor, gerente, chefe ou supervisor, tinham que desempenhá-las, como atividades administrativas essenciais.

Princípios Gerais da Administração

Para Fayol, a Administração foge da ideia da rigidez e do absolutismo em matéria de administrativa. Sendo assim, ela é uma ciência baseada na medida, na ponderação e no bom senso, com princípios maleáveis e adaptáveis a qualquer circunstância em qualquer tempo ou lugar. Desta forma, Fayol sugeriu, com base em coletas de informações de diversos autores de sua época, os seguinte Princípios Gerais da Administração:

  1. Divisão do trabalho: A especialização das pessoas aumenta a eficiência;
  2. Autoridade e responsabilidade: Significa o poder de decisão e direito de dar ordens, e o dever de prestar contas como consequência direta de sua autoridade;
  3. Disciplina: Traço comportamental, necessário para prestar obediência, energia e respeito aos acordos determinados;
  4. Unidade de comando: Cada funcionário deve receber ordens de apenas um superior;
  5. Unidade de direção: Comando único e plano específico para cada atividade, dentro do mesmo objetivo;
  6. Subordinação de interesses individuais: Os interesses particulares das pessoas estão sobrepostos pelos interesses da empresa;
  7. Remuneração do pessoal: Justa retribuição tanto para funcionários quanto para a organização;
  8. Centralização: Concentração da autoridade no topo da hierarquia;
  9. Cadeia escalar: Linha de autoridade de cima para baixo;
  10. Ordem: Cada coisa no seu lugar;
  11. Equidade: Obter a lealdade do pessoal com justiça e amabilidade;
  12. Estabilidade do pessoal: Minimizar a rotatividade de pessoal, para evitar prejuízos para a organização e aumentar a eficiência;
  13. Iniciativa: Proatividade para elaborar um plano e executá-lo com sucesso;
  14. Espírito de equipe: Harmonia e união entre as pessoas, para fortalecer a organização.

Administração como Ciência

A Teoria Clássica da Administração surge no intuito de substituir a improvisação e o empirismo por técnicas científicas. Fayol defendeu uma ideia inovadora para sua época, que era a necessidade de um ensino organizado e metódico da Administração para a formação de novos administradores.

Teoria da Organização

Na Teoria Clássica da Administração, a organização é concebida como uma estrutura. Ideia claramente influenciada, em grande parte, pelas antigas organizações militares e religiosas, que possuíam hierarquias e normas rígidas. Desta forma, a estrutura organizacional passa a constituir uma cadeia de comando, com uma linha de autoridade que interliga as diversas posições dentro da organização.

Ao contrário da abordagem da Administração Científica, na Teoria Clássica a estrutura organizacional é analisada de cima para baixo(da direção para o chão de fábrica).

Divisão do trabalho e especialização

A divisão do trabalho constitui a base da organização. A Especialização e diferenciação das tarefas nasce a partir desta ideia. A Divisão do trabalho se divide em vertical e horizontal.

  • A Divisão Vertical do Trabalho é quando se refere aos níveis hierárquicos. A autoridade aumenta na medida em que se sobe na hierarquia. Desta ideia surgiu o termo ‘autoridade de linha’.
  • Já a Divisão Horizontal do Trabalho, refere-se aos diferentes tipos de autoridade no mesmo nível hierárquico em cada departamento, que passa a ser responsável por uma atividade própria e específica.

Críticas à Teoria Clássica da Administração

Abordagem simplificada da organização formal

Esta crítica diz que os autores da Teoria Clássica conceberam a organização em termos muito rígidos, formais, abstratos e lógicos, deixando de lado(e sem a devida importância) os fatores psicológicos e sociais das pessoas. Neste caso, o avanço da Teoria Clássica apenas teria ampliado enormemente a microabordagem da Administração Científica de Taylor, elevando-a para o nível organizacional de toda a empresa, que também podemos chamar de macroabordagem. Desta forma, o administrador deveria conduzir-se em toda e qualquer situação, por mais diferentes que estas fossem, com os normativos prescritos para obter a máxima eficiência possível na execução do seu trabalho.

Ausência de experimentos

Os autores da Teoria Clássica pretendiam elaborar uma Ciência da Administração para substituir o empirismo e a improvisação por técnicas científicas. Porém, eles mesmo elaboraram seus conceitos na observação e no senso comum, ou seja, de forma empírica. Como o trabalho foi feito à base de experiências e pragmatismos, suas afirmações se dissolvem quando postas à prova.

Extremo racionalismo

A preocupação dos autores da Teoria Clássica com a lógica racional de suas proposições sacrificaram a clareza de ideias. Esta crítica se acentua por que o abstracionismo e o formalismo resultaram em uma análise superficial, super simplificada e falta de realismo da Administração.

Teoria da Máquina

A Teoria Clássica recebeu esta denominação, porque considerou a organização sob o prisma do comportamento mecânico de uma máquina. Esta visão deu à teoria uma abordagem mecânica, lógica e determinística da organização. Pois cada posto de trabalho(e seu ocupante) era considerado apenas uma engrenagem ou um mola responsável por mover todo o sistema.

Abordagem incompleta da organização

Os críticos dizem que, assim como a Teoria da Administração Científica, a Teoria Clássica da Administração incorreu no mesmo erro, ao se preocupar apenas com a organização formal, deixando de lado a informal. Apesar da Teoria Clássica não ignorar os problemas humanos na organização, foi incapaz de tratar sistematicamente seus grupos informais, seus conflitos organizacionais e seus processos decisórios.

Sistema Fechado

A Teoria Clássica era composta por variáveis conhecidas e previsíveis, com aspectos que podem ser manipulados com princípios gerais e universais. Desta forma, deixa a desejar sua perfeita aplicação em situações de variáveis desconhecidas e que pudessem fugir de qualquer previsibilidade.

Conclusão

Jules Henri Fayol e Frederick W. Taylor são considerados, juntos, os fundadores da Administração moderna. Contudo, apesar das críticas, a Teoria Clássica da Administração é a mais usada na formação de novos Administradores, pois permite uma visão simples e ordenada, dissecando o trabalho organizacional em categorias úteis e compreensivas.

A abordagem normativa e prescritiva da Teoria Clássica da Administração está fundamentada em princípios gerais, com uma espécie de receituário que o Administrador deve seguir em todas as situações na empresa.

A Teoria Clássica é, sem sombra de dúvidas, um dos fundamentos onde repousam tranquilas as bases da Administração moderna.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • CHIAVENTATO, Idalberto. Introdução à Teoria da Administração. 8a edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
  • FAYOL, Henri. Administração Industrial e Geral. São Paulo: Editora Atlas, 1950.

About Antonio Martins Jr.
Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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