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Coisas que um futuro Administrador pode aprender com um Prático

Primeiro, ao mencionar a pessoa do Prático, não me refiro apenas a alguém que seja objetivo e resolva as coisas com praticidade. Absolutamente. Mas, sim, a um tipo de profissional habilitado pela Marinha do Brasil, responsável por pilotar e atracar diariamente as grandes embarcações que transitam pelos portos do país.

Dadas as dimensões de alguns destes navios e, também, às suas características altamente influenciadas pelo seu instável ambiente marítimo, fica claro que, definitivamente, atracar um navio não é a mesma coisa que estacionar um automóvel.

Cruzeiro atracado no porto de Santos, em São Paulo

Cruzeiro atracado no Porto de Santos, em São Paulo

Geralmente, os capitães destas grandes embarcações são especialistas em alto mar e, quase sempre, seus instrumentos e técnicas de navegação são suficientes para navegar em segurança em mar aberto. Mas, no porto a história é bem diferente. Pois além do trânsito frenético de outras embarcações, igualmente enormes ou não, há outro fator que pode colocar em risco a segurança de todos: o fundo do mar. Na costa, diferentemente do alto mar, a profundidade das águas pode ir de dezenas de metros a apenas alguns centímetros em alguns pontos. São verdadeiras montanhas invisíveis logo abaixo da linha das águas, que, por sua vez, é o ambiente dos cascos dos navios. Aliás, este é o principal fator de risco: a invisibilidade destes bancos de areia, terra e rochas sob as tranquilas águas portuárias.

Em 2012, o Costa Concordia naufragou após colidir com uma rocha junto ao Porto de Isola del Giglio, na Itália

Conhecer em detalhe os “caminhos” por onde conduzir a embarcação com segurança e evitar um desastre no porto, é a principal função do Prático. Para isto, ele precisa atualizar-se e capacitar-se constantemente, e ficar atento às alterações do leito marinho, através da ajuda de instrumentos em terra, como radares e sondas, e até por imagens produzidas por satélite. Portanto, podemos dizer que o Prático deve estar atento aos fatores invisíveis e encontrar as soluções mais adequadas para superá-los.

A formação de um Prático pode levar de alguns meses a vários anos. Só depende do profissional, que é avaliado pela Marinha antes de começar a exercer a atividade profissionalmente. Portanto, este é outro fator crítico para o sucesso do profissional: o investimento de tempo e dinheiro no aprendizado.

E não basta apenas ter conhecimentos sobre o fundo do mar e estudar muito. Para atracar em segurança uma grande embarcação, o Prático precisa saber trabalhar em equipe que, basicamente, envolve: torre de controle, operadores de botes de reboque, coordenação do tráfego marinho e aplicação e fiscalização de normas da legislação brasileira. Toda essa gente trabalha em sintonia com o Prático, que está a bordo, pilotando o navio. Por isso, saber trabalhar em equipe é fundamental.

E, por último, para ser considerado bom no que faz, o Prático deve ser ágil no seu trabalho e não cometer erros. Em temporadas de pico, até 100 grandes embarcações ficam ancoradas em alto mar, nas proximidades do Porto de Santos, por exemplo, em São Paulo, aguardando a “fila” pela sua vez de atracar.

Fila de espera para atracar no porto de Santos, em São Paulo

Fila de espera para atracar no Porto de Santos, em São Paulo

Claro que a praticagem, como é conhecida a profissão do Prático, é muito mais do que o breve resumo exposto neste post. Recentemente eu participei de uma visita técnica ao Porto de Santos, e pude presenciar um pouco do que é na prática o exercício desta função. Assista este vídeo para ter uma melhor noção do assunto.

Bom, agora, voltando ao plano de fundo deste post, o que será que um futuro Administrador pode aprender com a praticagem? Só podemos dizer que, entre tantas outras habilidades e competências que são esperadas e exigidas de um Prático, as que foram destacadas no texto fazem parte dos princípios fundamentais da Administração: Descobrir, analisar e conhecer os fatores invisíveis que afetam o ambiente da empresa; Investir no aprendizado, sempre; Contar com uma boa equipe e saber trabalhar com ela; e ser rápido no gatilho, ou seja, ser ágil e não titubear no trabalho.

Precisa de mais?

Se o futuro Administrador conseguir desenvolver todas estas características, serão grandes as chances de poder guiar sua empresa a um porto seguro.

About Antonio Martins Jr.
Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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