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Foco no Empreendedorismo em Rede

Aprendendo com os ganhas e perdes da crise

Dois pontos para começar:

  1. As crises vão e vem todo o tempo.
  2. Este texto não entrará no mérito da questão sobre as responsabilidades políticas e gerenciais da crise atual.

O fato é que vivemos na corda bamba da Economia o tempo inteiro. Sabemos perfeitamente que o dinheiro em circulação já tem dono, que somos meras peças no tabuleiro dos grandes capitalistas e que representamos apenas números estatísticos para o Estado. O nosso problema é que, em tempos de crise, esta corda de interesses se tenciona além do limite suportável e, em algum momento, inevitavelmente, se romperá. Desnecessário dizer que 99% de nós estamos no lado fraco da corda. E quando ela arrebenta, um por um vamos caindo, como num efeito dominó.

Para piorar, essa nossa mania boba de somente prestar atenção ao fato quando ele é mais valorizado pela mídia, alimenta ainda mais a percepção de um iminente colapso geral; uma espécie de “fim do mundo” antecipado. Mas, pensando friamente, a crise nada mais é que um tempo de ajustes e um período de economia recessiva. Também é, inclusive entre nós, um tempo de perdas para uns e de ganhos para outros.

Perdas e ganhos da crise

As perdas, ficam para quem andava(ou extrapolou) no limite da sua capacidade de consumo. Ou seja, aquele que gastava tudo(ou mais) que recebia. É bem provável, que este indivíduo fique mais endividado e seja obrigado a arrochar a sua já agonizante qualidade de vida. Inevitavelmente, deverá consumir muito menos ao mesmo preço(ou mais caro) que antes. Provavelmente, será obrigado a vender alguns bens de valor(carro, casa, joias etc), para honrar medianamente seus compromissos mais pesados. O problema, é que vender algo em época de crise nunca será um bom negócio. Primeiro, porque é difícil encontrar um comprador. Segundo, porque mesmo encontrando um comprador, será muito difícil que este esteja disposto a pagar o valor real do bem.

Por outro lado, para quem conseguiu manter as suas contas em dia e poupar algum dinheiro durante os tempos de bonança, a crise pode ser um período menos doloroso. Inclusive, pode ser um tempo de ganhos. Pois esta é a sua oportunidade para comprar a casa, o carro ou as joias dos endividados. Muitas vezes, a preço de banana. E não é somente isto, quem tiver dinheiro guardado, poderá aproveitar para investir em capacitação profissional, com a finalidade de aumentar seu leque de oportunidades em empregos melhores ou, até mesmo, em um negócio próprio, assim que a poeira econômica baixar.

Outro exemplo clássico que notamos frequentemente em tempos difíceis, são os ganha-perdes dentro de alguns nichos de mercado. Por exemplo, no setor alimentício, os restaurantes vs. supermercados. Sem dinheiro(ou com receio de gastar), as pessoas deixam de visitar os restaurantes e preferem comer em casa que, em muitos casos pode sair muito mais barato, apesar de trabalhoso. Uma vez que as refeições caseiras ficam em alta, os supermercados, que comercializam os insumos alimentícios, acabam vendendo mais. Desta forma, os gerentes dos supermercados estão mais felizes em meio à crise, em detrimento dos gerentes dos restaurantes, que passam a ser menos visitados que antes.

O vai e vem das crises

Esta não é a primeira crise que enfrentamos e não a será a última. Observe bem esta citação de Peter Drucker, feita em 1975:

“A cada 50 ou 60 anos, nos últimos 250 anos, houve uma década em que os homens de negócios, políticos, e economistas de países desenvolvidos da economia mundial esperavam que o crescimento especulativo continuasse indefinidamente a uma taxa exponencial: entre 1710 em 1720, ao redor de 1770; depois de 1830; ao redor de 1870; e ao redor de 1910(abortado na Europa pela Primeira Guerra Mundial, porém continuando nos Estados Unidos até 1929); e, finalmente, na década de 1960. Cada uma dessas eras acreditava que não haveria limite para o crescimento. E cada uma delas terminou numa debacle, deixando atrás de si imensa ressaca.”

Se verificarmos com atenção a citação de Drucker, seu texto soará como uma profecia: estamos há exatas 6 décadas da crise dos anos de 1960! Significa que fomos avisados, mas ninguém se preparou. Contrariamos o bom senso e rimos da “marolinha” de 2008. Não é de estranhar que o tsunami de 2015 tenha nos pegado em cheio.

Mas, de um modo geral, todos podemos sair fortalecidos da crise atual. Quem comprou barato e se capacitou, ficará feliz e continuará poupando, de olho nas próximas oportunidades. Quem passou pelo aperto não ficará tão feliz, mas pode ter aprendido a lição de não gastar mais do que recebe e da imprescindibilidade de poupar algo, sempre. E, se não aprender, deverá pelo menos memorizar o caminho das pedras, para dar os seus pulos e se virar de novo quando a crise voltar. E ela vai voltar. Ela sempre volta.

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Antonio Martins Jr. – já publicou 231 posts neste blog.Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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