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Porque o Controle de Qualidade Total não colou no Brasil?

O termo ‘Qualidade Total’ tornou-se tão corrente que, praticamente, virou um jargão nos textos publicitários e nos discursos motivacionais das empresas. Em alguns casos, a qualidade total sobre produtos e serviços é mencionado tão repetidamente, que até deixa a impressão de estarmos diante de um modismo. Mas, a propaganda funciona! Os rios de dinheiro gastos no consumo de bens e serviços meia boca, que prometem maravilhas, é impressionante. O PROCON que o diga.

Agora, cá entre nós, na terra do tupiniquins, essa tal “Qualidade Total” funciona tão bem na prática como na publicidade? É disso que vamos tratar neste post.

Origem do Controle de Qualidade Total

qualidade totalEste termo tão precioso e marqueteiro, que apenas estamos começando a nos familiarizarmos, já é bastante difundido e utilizado no outro lado do mundo. O movimento dos 5 S’s teve início com os japoneses, na década de 1950. A partir dali, o modelo foi aprimorado e em pouco tempo as empresas nipônicas aderiram ao conceito, transmitindo a ideia e aplicando-a em todos os níveis das suas organizações. Uma das coisas que me chamam a atenção é que, enquanto o Brasil sofre duras penas para adaptar-se aos 5S’s, os japoneses já falam de 14 S’s.

Os 5 S’s representam cinco palavras ou termos:

  • Seiri → Senso de utilização.
  • Seiton → Senso de organização.
  • Seiso → Senso de limpeza.
  • Seiketsu → Senso de saúde.
  • Shitsuke → Senso de autodisciplina, autocontrole.

Os detalhes de cada uma, você pode ler NESTE ARTIGO.

O conceito japonês de Qualidade Total surge, basicamente, destes pontos:

  • Os japoneses adotaram, desenvolveram e adaptaram as metodologias estadunidenses de produção e qualidade como, por exemplo, o sistema Ford. As bombas dos Yankees, que dizimaram o país, ainda retumbavam em seus ouvidos, quando foram incrivelmente capazes de aproveitar as boas ideias dos seus principais adversários, ao invés de ficar lamentando o ocorrido e lambendo as feridas.
  • Desenvolveram abordagens adaptadas à sua própria cultura: A cultura e os valores japoneses (trabalho, respeito, disciplina, introversão e espírito coletivo) são bem conhecidos e dispensam comentários. Talvez, por isso lhes foi relativamente fácil desenvolver e implantar um sistema de qualidade eficiente nas suas empresas.
  • Enfatizaram a educação em massa, o uso de ferramentas simples e o trabalho em equipe. A educação básica (que todo mundo tinha) no Japão, na década de 50, já era o que hoje conhecemos como ensino médio (que nem todo mundo tem) no Brasil. Toda essa instrução, somada com as limitações impostas pela derrota na guerra, lhes ensinou a trabalharem unidos e com as ferramentas rudimentares que tinham ao seu alcance (paus, pedras, ferro etc).
  • Produziam com qualidade superior, a preços acessíveis, com elevado grau de desempenho e alta durabilidade. Neste conceito, ser de qualidade não significa ser mais caro. Apesar de toda sua qualidade o preço continua acessível à maioria dos consumidores.

Com isto, talvez já possamos começar a entender que o embrião que deu a luz ao Controle de Qualidade Total, foi excepcionalmente cultural. Também já podemos ir desenhando o porque do conceito de Qualidade Total ainda não ter conseguido instalar-se eficientemente na cultura brasileira.

Observe as seguintes citações:

“A responsabilidade pela qualidade de uma empresa, é de todas as pessoas que nela trabalham, independentemente do cargo que ocupam, do local onde estejam ou do serviço que prestam.” Kaoru Ishikawa.

“O consumidor é a peça mais importante da linha de produção.” Deming

Pense nisso:

  • Qual é o percentual de trabalhadores das empresas brasileiras que possuem a consciência referida por Ishikawa?
  • As empresas brasileiras vêm os consumidores com a importância que Deming os vê?

A última pergunta, para encerrarmos o post, é: Quão longe ainda estamos da Qualidade Total? Se observarmos estritamente que o fator cultural foi o motor propulsor da qualidade japonesa, podemos concluir que nos resta um longo caminho pela frente.

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About Antonio Martins Jr.
Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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