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Um repasso pelos principais motivos de fracasso na crise

Primeiro, há que deixar-se claro que, como bons brasileiros que somos, este post somente existe porque já estamos afundados na crise. Em tempos de bonança este assunto provavelmente não entraria na pauta deste blog. Agora é tarde demais para qualquer alerta. Mas, pelo menos, fica uma lição para o futuro.

Sem mais delongas, vejamos alguns motivos que ajudam a fracassar na crise:

1. Ignorar que a crise existe

  • Não dar a atenção devida aos fatores externos que envolvem a Economia e agir como se fôssemos imunes a todas as notícias negativas que ocorrem à nossa volta, como se tudo isto afetasse somente aos outros mas nunca, jamais!, a gente.

Muitos empreendedores e empresários no geral, incomodam-se(com razão) pelo fato de suas receitas diminuírem em tempos de crise, sem, no entanto, reconhecer a existência da mesma. Tratam do assunto com positividade excessiva que, muitas vezes, é provocada mais por medo de ver-se com a corda no pescoço do que por um gesto de fé e otimismo.

Mas, mesmo assim, com todo esse positivismo com os fatores externos, as coisas andam mal. Não há como negar. É óbvio que a culpa pelos maus resultados deverá recair sobre alguém. É então que, eximindo-se as responsabilidades aos fatores externos, sobram os fatores internos. Quase sempre, a primeira causa direta apontada como responsável pelo fracasso atual, é a ineficiência dos colaboradores. Isto nos leva ao próximo passo.

2. Desperdiçar capital humano

  • É hora de limpar e enxugar o quadro de pessoal. Aproveitar que as vendas estão muito baixas e limpar o “excesso” de contingente na empresa. Afinal, há muita gente ociosa pela falta do que fazer e que, certamente, oneram a empresa.

O valor de um profissional não se resume ao seu salário e aos encargos sociais que ele representa para a empresa. O Know-how deste indivíduo, sua experiência e familiaridade com os processos, constituem um ativo valiosíssimo para a organização. Manter uma postura míope e dispensá-lo na primeira oportunidade, sem nenhum critério minimamente justo, somente porque se pensa que boa parte da culpa pelos maus resultados atuais lhe pertence, é demonstração clara de falta de capacidade gerencial. Além disso, pode-se estar colocando à disposição do mercado alguém com capacidades e competências invejáveis. A concorrência agradece o gesto.

3. Imobilizar ativos

  • Fazer aquela reforma que se espera há anos; renovar a frota da empresa, trocando veículos que, apesar de estarem funcionando muito bem, já têm quase cinco anos de uso; comprar móveis, imóveis, máquinas, etc.

A crise não é um bom momento para desfalcar o Caixa da empresa e transformar o dinheiro(que tem o poder de circulação e de apagar os incêndios financeiros da empresa) em paredes, carros, máquinas etc. Muito além do seu custo inicial, estas coisas trazem no pacote despesas adicionais com manutenção, impostos, taxas, licenças, papelada etc. Transformar dinheiro em coisas, diminui(e muito!) a Liquidez Imediata da empresa(caixa, saldos bancários e aplicações financeiras de liquidez imediata), reduzindo sua capacidade de pagamento imediato(se precisar) e de resolver seus problemas no curto prazo, que é o tempo que se espera que dure a crise. As dívidas e os juros agradecem.

4. Não ouvir o mercado

  • Ignorar completamente os números oficiais da Economia, como: inflação, juros, câmbio, PIB, índices de desempenho e informações proporcionadas pelas associações do seu ramo, entre outros. Fingir que estes dados são manipulados e convencer-se de que tudo não passa de um complô de uns poucos contra os interesses da maioria.

O mercado fala através dos números e das estatísticas. Os números não mentem. Às vezes me pergunto se haverá alguma relação entre isto e o fato de pouca gente gostar de matemática. Enfim, você não pode ignorar os fatos demonstrados pelos números.

Por exemplo: se o seu público, além de consumir o seu produto ou serviço também é assíduo aos restaurantes, e você ouve nas notícias que estes estabelecimentos registraram uma queda de 30% no movimento de clientes, isto significa que o público que vai lá, que também é o seu, está pensando muito bem antes gastar, ou simplesmente não pode mais fazê-lo. Provavelmente, eles também devem analisar se precisam realmente comprar de você agora ou se é preferível esperar as coisas melhorarem para voltar a comprar.

Outro número interessante é o do seu fluxo de caixa. Acompanhe-o sempre de um gráfico, para sua melhor visualização. Fique atento para a tendência da sua linha do tempo. Se ela está inclinada para baixo e não mostra sinais de recuperação, é hora de acender a luz vermelha.

5. Ser pessimista demais

  • Dar excessiva atenção ao que a mídia noticia; inclinar-se sempre para o lado mais negativo do assunto; ficar paranoico com uma hipotética ideia de colapso geral e de fim do mundo com tudo o que andam dizendo; guardar(leia-se “esconder”) seu dinheiro e não investir em inovação e capacitação para superar a crise.

Apesar de desagradável(muito desagradável mesmo), a crise é um tempo de ajustes e de economia recessiva. Historicamente as crises têm um início, um meio e um fim. Ou seja, por mais demoradas ou não que sejam, em algum momento elas devem terminar. Por isso, não se deve ser tão pessimista quanto à sua duração e aos seus efeitos no longo prazo. Mas, sim, trabalhar nos detalhes que fazem toda a diferença para sobreviver a ela. Pense nisto: países como Alemanha, Israel e Japão eram apenas um amontoado de entulho e cadáveres há apenas algumas décadas; hoje são potências políticas, econômicas, tecnológicas e militares indiscutíveis.

6. Ser otimista demais

  • Acreditar cegamente que na semana que vem o governo vai achar uma solução à crise; que a população irá se engajar na mudança; que os seus funcionários estão felizes por, pelo menos, terem seus empregos garantidos até o momento; que os bancos irão colaborar; que os especialistas estão enganados; que os clientes que desapareceram estão apenas sumidos, mas que vão entrar pela porta e realizar uma grande compra(como antes) a qualquer momento; que a crise irá terminar muito antes do dinheiro que você tem em Caixa esgotar-se etc.

Vá com calma filho! Seria muito pretensioso acreditar em uma conspiração incondicional do universo a seu favor, e que tudo de bom e positivo ocorresse o mais rapidamente possível, de modo que o tsunami da crise não fosse nada mais que uma leve “marolinha”, como se pensava. Seja realista. A crise não perdoa quem habita na região vulnerável de um sistema econômico coletivo e não vai passar tão fácil assim. E, mesmo você sendo muito inteligente e lutando bravamente sem esmorecer, pode te acontecer de chegar ao final dela só o farrapo. Porém, vivo e de cabeça erguida. Dependendo do impacto da crise sobre a sua empresa, levará algum tempo juntar os cacos, fazer as contas e recuperar-se do prejuízo.

É óbvio que esta lista de motivos de fracasso na crise não termina aqui. Estes são apenas alguns dos mais comuns. Definitivamente, a superação a tudo isto está na atitude do empreendedor e na sua forma de lidar com estes “novos” desafios.

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About Antonio Martins Jr.
Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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