Graças ao engenheiro Frederick W. Taylor (1856-1915), a Administração é hoje uma ciência. O Princípio da Administração Científica, da qual Taylor é considerado pai e idealizador, tem como característica principal a ênfase nas tarefas, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional.
Antes, a administração das fábricas era feita pelos próprios empregados, empiricamente e sem nenhum controle por parte da direção das empresas que, em muitos casos, desconhecia o processo de produção. Como resultado, a produtividade era baixíssima, pois os próprios sindicatos induziam aos funcionários a produzir menos, pois assim, segundo se pensava na época, seus empregos estariam garantidos por muito tempo. A tática funcionava à perfeição.
Foram trinta anos de estudo até que Taylor publicasse sua teoria – acompanhada de fatos – conhecida como os “Princípios de Administração Científica”.
Com o modelo administrativo sugerido por Taylor, as empresas aumentavam consideravelmente sua produção, os empregados ganhavam mais, e os produtos ficavam mais baratos para os consumidores.
Abaixo segue uma lista com vários pontos positivos dos Princípios da Administração Científica de Taylor, que beneficiam diretamente trabalhadores e empresas, inclusive na atualidade.
BENEFÍCIO AOS TRABALHADORES
- Especialização de cada funcionário dentro de uma função específica.
- Salários mais elevados, que chegaram a atingir, em alguns casos, o dobro de antes.
- Política de incentivos por metas de produção cumpridas (Meritocracia).
- Condições de trabalho; O conforto no ambiente de trabalho ganha força, porque influencia diretamente na produtividade.
- Oferecer as instruções sistemáticas adequadas aos trabalhadores, treinando-os para produzir mais e com melhor qualidade. O treinamento passa a ser responsabilidade da gerência.
- Eficiência na produção, sem implicar esforço extra dos trabalhadores.
- Jornada de trabalho reduzida e pausas para descanso.
- Concessão de dias de descanso remunerados aos empregados.
BENEFÍCIOS ÀS EMPRESAS
- Produtos com qualidade superior aos anteriores.
- Eliminação de desperdícios e, consequentemente, das perdas sofridas pelas empresas.
- Aumento dos níveis de produtividade.
- Redução de custos dentro do processo produtivo, com a eliminação de gastos desnecessários, como as constantes inspeções, por exemplo.
- Desenho de cargos e tarefas.
- Seleção científica: Contratar a pessoa correta, segundo suas aptidões e capacidades para a função a ser desempenhada.
- Aproveitamento eficiente dos recursos e do tempo. Produzir mais utilizando menos.
- Supervisão funcional: os operários são supervisionados por alguém especializado.
TAYLOR, O TEMPERAMENTAL
Taylor, nasceu em Filadélfia no estado da Pensilvânia, EUA em 1856. Em 1878, depois de estudar na Europa e recusar fazer o curso de Direito em Haward, optou por trabalhar na Midvale Steel Company. Começou como operário mas logo passou para escriturário, maquinista, contra mestre (gerente) e finalmente engenheiro chefe.
Quando ainda era chefe da seção das oficinas de construção de máquinas, teve que lidar com um grave problema: a galeria subterrânea de esgoto, que passavam bem no meio da fábrica entupiu. Os homens encarregados de desentupir as manilhas, a sete metros de profundidade, desistiram e disseram que era impossível resolver o dilema. O fracasso da operação, obrigaria a paralisação da fábrica para o início das escavações para o desentupimento das galerias. O prejuízo financeiro seria enorme.
Foi então quando Taylor tomou uma decisão característica de seu forte temperamento: trocou de roupa, amarrou sapatos em seus joelhos e cotovelos – para proteger-se – e decidiu resolver o problema. Assim, sozinho.
Entrou na galeria, engatinhando por mais de cem metros até chegar à obstrução, desentupiu os canos com as próprias mãos e retornou vitorioso. Imediatamente foi vítima das chacotas de seus colegas, pois saíra coberto de sujeira da galeria, como já era esperado. Mas a zombaria durou pouco, pois o presidente da companhia, vendo que havia economizado muito dinheiro, levou o caso ao Conselho Administrativo. Frederick W. Taylor foi promovido em seguida.
Se restava alguma dúvida em quanto ao espírito de liderança de Taylor, certamente foi levada junto com os detritos do esgoto.
Retornando ao nosso foco, o Princípio da Administração Científica, Taylor sofreu muitas oposições às suas ideias. Principalmente por parte de sindicalistas e gerentes que sentiam-se ameaçados pelo novo modelo de administração que chegava para ficar.
Entre as críticas e acusações feitas a Taylor e a seu novo modelo de gestão estão:
- Modelo inadequado de Taylor da motivação do trabalhador
- Ignorância de fatores sociais
- Autoritarismo
- Tratamento de homens como se fossem máquinas
- Exploração de trabalhadores
- Anti-sindicalismo
- Desonestidade pessoal
Muitas destas afirmações são falsas, algumas inclusive, ridículas. Hoje, quase um século depois da sua morte, poderíamos dizer que alguns conceitos de Taylor estivessem contextualizados para sua época, mas a realidade é que a maioria deles são totalmente atuais, aplicáveis e válidos atualmente.
No texto que segue abaixo, há duas gerações de empresários bem-sucedidos que seguiram a linha de administração de Taylor. Um norte-americano: Henry Ford. E o outro, um italiano naturalizado brasileiro: Salvador Arena.
HENRY FORD
A influência da teoria de Frederick Taylor chegou a níveis incríveis. Henry Ford seguiu à risca os princípios de padronização e simplificação da Administração Científica, e revolucionou a indústria automobilística.
“Quando você paga bem aos seus homens, pode conversar com eles.” Henry Ford
Em 1914 Ford surpreendeu o mundo pagando a seus empregados um salário de USD$ 5 por dia, ou seja, mais do que o dobro registrado até aquele momento em qualquer outra empresa. E foi mais além, reduziu a jornada laboral de 9 para 8 horas diárias em 5 dias de trabalho por semana. Como resultado, deteve-se a alta rotatividade de empregados, e os melhores mecânicos de Detroit foram atraídos para Ford. Desta forma os custos com treinamentos eram mínimos, e ganhava-se em mão de obra qualificada fazendo com que a produtividade ultrapassasse todos os limites conhecidos.
Outra inovação de Ford foi a repartição do controle acionário da empresa com seus funcionários, ou seja, participação nos lucros. Ford acreditava que empregados satisfeitos produziam mais e melhor.
Em 1926, Ford empregava 150 mil pessoas e fabricava cerca de 2 milhões de carros por ano. A principal característica de Ford foi o aperfeiçoamento da linha de montagem. Uma esteira rolante movimentava os veículos enquanto que cada funcionário realizava uma pequena etapa da produção.
SALVADOR ARENA
No mesmo ano em que faleceu Frederick W. Taylor (1915), nascia Salvador Arena em Trípolis, Líbia (território sob domínio italiano na época). Arena era profundo admirador de Henry Ford e conhecia em detalhes sua vida.
Em 1942 Salvador Arena fundava, com apenas USD$200 dólares, a Termomecânica. Em 1948, e antes da promulgação da lei de incentivos financeiros para empregados, concedia-se o primeiro prêmio por produtividade. Arena abria um precedente, pois todos os envolvidos na realização de um grande projeto, que deveria ser entregue em um período curtíssimo, receberam o dobro ou mais de seus respectivos salários. O projeto resultou perfeito e foi concluído no dia combinado. Em ocasiões os trabalhadores recebiam o 13º, 14º, 15º, 16º… salários, no final do ano.
Todos os empregados domésticos de Arena tinham casa própria. Por quê? Ele os ajudava a comprar. Seus funcionários estrangeiros recebiam, com certa frequência, passagens aéreas para visitar a família em seus respectivos países.
“Repita a comida quantas vezes quiser, mas não deixe comida no prato. Pena pela desobediência: um mês de suspensão do restaurante.” Salvador Arena
Ninguém era demitido. Em tempos difíceis, Arena mandava seus funcionários pintar a fábrica, as máquinas ou organizava um mutirão para construir casas para os próprios funcionários.
SEM INJUSTIÇAS
Enfim, existem inúmeros e célebres exemplos de gestão que foram sacrificados por este texto, mas certamente, a maioria deles basearam-se nos estudos da Administração Científica de Frederick Winslow Taylor.
Só me resta dizer que Taylor não era alguém superdotado de uma inteligência sobrenatural e nem andava todo engomadinho, pelo contrário, sua língua era vivaz e descritiva, soltava palavrões com frequência, e nada tinha de urbanidade e cortesia. Talvez isto lhe tenha gerado uma certa antipatia por parte de alguns setores da sociedade na sua época.
Mas Mr. Taylor esta perdoado, pelo menos pelos que admiram seu modelo de gestão; por causa da obra brilhante que realizou durante os trinta anos de estudos que dedicou para descobrir uma forma melhor de Administrar, quebrando o modelo ultrapassado de uma administração meramente empírica e nada funcional que reinava nas empresas.
A presente pesquisa baseou-se nas histórias de Frederick W. Taylor, Henry Ford e Salvador Arena, além de textos de outras fontes da web como a Wikipédia e de alguns fóruns de discussão sobre o assunto.






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[...] a sobremesa deliciosa que provamos após o jantar. Em algum momento houve alvoroço no jardim, era Taylor soltando palavrões como sempre e reclamando da ineficiência do garçom. Depois, soltou uma forte [...]
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