Neste artigo quero destacar a atuação de uma figura emblemática na luta pelo direito de expressão através da Internet, mas que vive sua realidade sob o contexto de um Regime comunista. Sem dúvidas trata-se de um ser humano fantástico, e foge completamente aos padrões de atividade da maioria dos blogueiros ativos na blogosfera. Por certo, evitarei entrar nos detalhes noticiosos relacionados à nossa personagem, pois para isto temos os sites de notícias que fazem esplendidamente seu trabalho.

Foto divulgação
Vou falar sobre Yoani Sánchez Cordero María, 36, cubana, filóloga e editora do blog Generación Y – GY a partir de agora.
Desde Cuba utiliza, de forma ferrenha, seu blog como “um exercício de covardia – como ela mesma diz – que lhe permite expressar neste espaço o que lhe esta vetado em seu acionar cívico”, ou seja, o que não pode fazer em público. Obviamente se manifesta desta forma por causa do cenário cívico vivido em Cuba; problema bem conhecido por todos nós.
QUEM É YOANI?
É formada em Filologia Hispânica na Faculdade de Artes e Letras da Universidade da Habana, mas depois de trabalhar como professora de espanhol (freelance) para estrangeiros, descobriu na informática sua vocação quando percebeu que “o código binário era mais transparente que a rebuscada intelectualidade”. Fundou em 2004 a revista Consenso. Em 2007 nasce o projeto GY, que atualmente está traduzido a quinze idiomas e funciona como uma voz que denuncia o Regime e clama por liberdade e justiça desde Cuba para o mundo. Sim, para o mundo, pois em Cuba o site é censurado e praticamente ninguém o pode acessar.
Já acumula vários prêmios importantes, entre eles está o da revista Times onde ficou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo em 2008; El País a catalogou entre os 100 hispano-americanos mais notáveis; a revista Foreign Policy a colocou entre os 10 mais intelectuais; e o GY foi incluído entre os 25 melhores blogs do mundo.
O BLOG E SUA MANUTENÇÃO
O GY é baseado na plataforma WordPress e está hospedado em servidores na Espanha, já que aos cubanos residentes em Cuba lhes é impossível ter um domínio próprio e independente nos servidores locais.
Apesar do título do artigo, Sánchez não possui nenhum problema visual; ela se denomina “blogueira cega” porque edita seu blog às cegas. Pois não tem – e nem lhe é permitido ter – acesso à Internet desde casa. Para realizar suas postagens, Yoani deve pagar para acessar à Rede algumas horas por semana desde a Lan House de um hotel, e logo enviar os textos a serem publicados.
O maior ativo que o blog gerou foi a influência e reconhecimento conquistados em diversos meios de comunicação ao redor do mundo. O blog em si não gera lucros diretos para a escritora, mas, como vimos, gera gastos que são contornados pelos honorários que ela recebe por escrever para alguns portais e diários internacionais, e também por participar – via telefone – de programas e entrevistas radiais. Com isto pode manter sua família, utilizar a Lan House e recarregar seu celular, que basicamente utiliza para twittar – via sms – e para conceder entrevistas. Yoani encontrou no Twitter uma ótima ferramenta que utiliza para comunicar-se com o mundo além das fronteiras da ilha. Seus mais de 200 mil seguidores a apoiam e interagem com ela constantemente.
No final do texto estão os links direcionados à Yoani Sánchez, desde onde será possível assistir os vídeos e ler as postagens da blogueira.
PONTO FINAL

É incrível observar como resultou útil e relevante o blog Generación Y nas mãos de Yoani, com o detalhe de que ela não tem acesso frequente à Internet. Enquanto isto, nós, os “blogueiros livres”, tentamos fazer de tudo para encontrar as palavras-chaves perfeitas; posicionar melhor, tanto os nossos anúncios do Adwords como nossos programas de afiliados, na esperança de ganhar alguns centavos com os cliques da nossa audiência; nos enlouquecemos almejando um melhor posicionamento no Alexa, no Technorati e no PageRank. Em ocasiões, damos mais importância ao que o Analytics nos mostra do que às nossas próprias convicções ideológicas. Chegamos a tal ponto que se a taxa de rejeição do nosso blog ficar acima de 70%, beiramos um colapso neurológico.
Talvez seja o momento de aprender, observando a trajetória de Yoani e do seu trabalho, e reavaliar o porquê de existirmos na blogosfera, reconsiderando nossos valores e intenções para com os nossos leitores, mas claro, sem desconsiderar a utilização das ferramentas adequadas para garantir o avanço e crescimento do nosso blog.
Veja o texto complementar desta matéria: Yoani Sánchez: “Não é o momento de lamber feridas…
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