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Oniomania: A síndrome da compra compulsiva

Já está comprovado: Estourar o orçamento repetidas vezes é semelhante ao vício do álcool, por exemplo. Este costume já é considerado uma doença e seu nome é Oniomania. No Brasil, para variar, não há estudos detalhados sobre o assunto. Nos EUA, estima-se que 1% da população sofre deste mal; no Reino Unido este número sobe para 8% entre os mais jovens.

onio

O termo foi usado pela primeira vez por Kraepelin, em 1915, e logo por Bleuler, em 1924, para referir-se aos compradores compulsivos. Atualmente existe tratamento médico e psicológico para a doença. No entanto, sem a força de vontade por parte de quem a padece, tudo o que se possa fazer será inútil.

O grande desafio da oniomania é que, como em outros casos, os dependentes levam muito tempo para admitir sua dependência. Geralmente, compra-se compulsoriamente e sem necessidade, somente para preencher os vazios deixados por outros problemas que afligem aos pacientes.

A oniomania tem tratamento

Em geral, nestes casos, corta-se todo acesso do paciente ao cheque, cartão de crédito, financiamentos, etc. Aplicam-se medicamentos e provavelmente alguém da família, ou de confiança, deverá assumir as responsabilidades financeiras do paciente, até que seja curado. O fato tomou tais proporções, que já existe oficialmente um grupo de Devedores Anônimos para tratar este tipo de problema.

Efeitos colaterais

Os danos de nível pessoal e/ou coletivos resultantes da doença podem chegar a ser incalculáveis, afetando diretamente as pessoas mais amadas, gerando mágoas eternas e infindáveis conflitos familiares. O final quase sempre é o nome cadastrado no Serviço de Proteção ao Crédito e o descrédito, não só do mercado, mas principalmente do núcleo familiar. E não termina aí! Os juros provavelmente elevarão as dívidas a níveis estratosféricos e, humanamente falando, impagáveis. De fato, os índices de suicídios relacionados aos problemas financeiros, como as dívidas, está entre os males da vida moderna.

Dívidas póstumas

Vou aproveitar a deixa do desagradável assunto da morte para ressaltar que, neste caso, o problema das dívidas encerra-se somente para o quem veio a óbito. Porém, para quem fica, ou seja, para os sucessores ou herdeiros, restará, não somente a dor da perda do ente querido, mas também as dívidas resultante da influência da oniomania sobre ele. A Constituição Federal é clara quando diz no Art. 5º, inciso XLV, que “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.” Ou seja, a dívida continuará vigente e deverá ser paga pelos vivos. Sendo assim, suicidar-se não passa de uma atitude egoísta e covarde, pois além de deixar aos filhos uma herança zero, pode-se também deixar um grande problema se houverem agiotas envolvidos na situação, por exemplo. Talvez isto faça os herdeiros refletirem se valerá a pena acender alguma vela pelo falecido.

Voltando ao nosso assunto, quem padece de Oniomania e deseja resolver o problema deve, obrigatoriamente, passar pelos seguintes passos:

  • Reconhecer que possui a enfermidade, abandonar e lutar contra o mal hábito;
  • Procurar ajuda imediata;
  • Seguir as recomendações médicas e abster-se completamente de comprar;
  • Encarar o problema e vencê-lo.

Capitalismo irresponsável

Sempre defendi que o capitalismo é, de longe, a melhor forma de organizar uma sociedade. Mas o nível que o egoísmo dos capitalistas tem atingido é alarmante. Durante o ano inteiro somos bombardeados com as propagandas das famosas “Promoções” e “Ofertas”, que nos insinuam que devemos comprar “urgentemente” ou perderemos a “maior chance” das nossas vidas. Os dias festivos, tradicionalmente conhecidos como familiares, como é o caso do Natal, dia das Mães, dia dos Pais e o dia das Crianças, perderam seu sentido original e tornaram-se meramente datas comerciais para vendas sazonais.

Este tipo de propaganda irresponsável alimenta a Oniomania. Nunca ouviremos, por exemplo, o Governo, ou alguma grande empresa do setor do comércio, falar sobre esta doença; certamente seus lucros seriam prejudicados e muitos impostos deixariam de ser recolhidos.

Para concluir esta parte da nossa série e independente de quem seja o responsável pelo problema, ou se o mesmo fará o dependente endividar-se ou não, a Oniomania é um mal desnecessário, alimentado pelos meios propagandísticos e que escravizam ao indivíduo, fazendo-o perder vários momentos bons da vida. A boa notícia é que já existem meios e métodos que podem ajudar a estes dependentes a viverem uma vida normal. Basta querer e procurá-los!

Leia a série completaOrçamento Familiar

Antonio Martins Jr. – já publicou 229 posts neste blog.Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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  1. O Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP busca pessoas de 21 a 60 anos, que apresentam compulsão/descontrole por compras (oniomania), para participar de estudo. Para os selecionados, serão oferecidos tratamentos médico, medicamentoso e psicoterápico.

    Oniomania ou Compras Compulsivas é caracterizado por:

    * Preocupação excessiva e perda de controle sobre o ato de comprar.
    * Aumento progressivo do volume de compras.
    * Tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras.
    * Comprar para lidar com a angústia, ou outra emoção negativa.
    * Mentiras para encobrir o descontrole com compras.
    * Prejuízos nos âmbitos social, profissional e familiar.
    * Problemas financeiros causados por compras.

    Os interessados deverão entrar em contato pelo telefone do Pro-AMITI (11) 2661-7805 ou enviar um e-mail com telefone de contato para compradorescompulsivos.hc@gmail.com

    Site:www.amiti.com.br
    https://www.facebook.com/hospitaldasclinicasdafmusp/photos/a.1398287123773264.1073741828.1391979501070693/1587938034808171/?type=1&theater

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