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Cinco coisas que aprendi sobre a felicidade

Há alguns anos eu escrevi uma série de posts, falando sobre coisas que venho aprendendo ao longo da estrada sobre diversos assuntos, como: finanças, marketing, liderança, objetivos, administração etc. Tudo isso pode ser obtido disciplinadamente com técnicas testadas e comprovadas. Mas quando o assunto é felicidade, não. Ninguém pode treinar para ser feliz. Alguém pode até tentar fingir, porém, sê-lo, não. No entanto, há um fator que influencia no entendimento e na falta de unanimidade de opiniões sobre o que é ser feliz: a interpretação subjetiva de cada um de nós. Em outras palavras, o que parece ser felicidade para uns, pode não parecer para outros.

Especialistas da felicidade

Neste post, recorrerei a fontes que estudaram a felicidade desde vários pontos de vista e chegaram a conclusões, no mínimo, interessantes. São eles, os filósofos Epicuro e Sócrates, o psicólogo Abraham Maslow e o biólogo Edward Osborne Wilson.

1 – Ausência de sofrimentos físicos e pertubações da alma

Quando Epicuro escreveu a Maneceu a sua “Carta sobre a Felicidade”, ele atribuiu a felicidade aos prazeres; mas não quaisquer prazeres: “não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma.”

Para Epicuro, o simples fato de não faltar as coisas básicas da vida, como boa saúde, alimentação adequada, habitação, trabalho, família etc (ausência de sofrimentos físicos), e, também, não sofrer de ansiedade, preocupações, depressões ou qualquer outra doença da alma (perturbações da alma), é suficiente para alguém ser feliz.

O filósofo continua dizendo: “Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida…”

Outra vez diz: “Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.”

Desta forma, na visão de Epicuro, o desapego às coisas supérfluas e temporais e o saber viver com simplicidade, são motivos que podem trazer felicidade ao indivíduo. Porém, o grande desafio para este pensamento é a cobiça humana, que é insaciável e muitas vezes irracional.

2 – Conhecimento

A grosso modo, para Sócrates, a felicidade humana podia ser classificadas ou obtidas das seguintes formas: 1. Riqueza e sucesso social; 2. Reconhecimento e fama; 3. Sabedoria e conhecimento.

Em primeiro lugar, o sucesso social atingido com a ajuda da riqueza é, basicamente, o poder de possuir o que ninguém ou poucos possuem. Afinal, a minha Ferrari só será a melhor enquanto meus vizinhos não possuírem uma igual. A partir do momento que todos possuem uma Ferrari igual à minha, meu sucesso já não é considerado grande coisa. Desta forma, a fome constante de se ter cada vez mais e melhor que outros, pode trazer felicidade na concepção de alguns. Mas todos sabemos que esta é uma felicidade condicionada ao materialismo e, portanto, uma felicidade supérflua.

Em segundo, o reconhecimento e a fama podem ser obtidos sem a ajuda de muito dinheiro, e pode ser fonte de felicidade para muita gente. Para estas pessoas, nada se compara com ser abordadas por fãs ou admiradores em qualquer lugar para tirar fotos, dar autógrafos, ou permanecer em evidência o tempo todo como um guru, dando conselhos, formando opiniões, ditando a moda, as normas, os modelos e as regras. Isso pode trazer um sentimento de felicidade, pois tem a ver com o amaciamento do ego. O grande desafio para este tipo de felicidade é que, frequentemente, lado a lado com o ego desenvolve-se o orgulho, a arrogância e a prepotência. Daí, o fato de muitos incorrerem no erro de pensar que são seres superiores ao resto dos reles mortais.

Por último, o conhecimento e a sabedoria, que é o poder de ser inteligente, bem informado, conhecer a fundo o funcionamento das coisas e dos sistemas e, consequentemente, saber decidir o mais corretamente possível, identificando e diferenciando o que é bom do que é mal, minimizando as chances de ser enganado ou de cair em armadilhas de crenças e superstições irreais. Os contemporâneos de Sócrates se preocupavam mais em tentar explicar os fenômenos naturais e juntar riquezas do que aperfeiçoar o desenvolvimento do caráter humano e a cidadania. Para Sócrates, o conhecimento e a sabedoria nos torna imunes à ignorância.

Ao pronunciar a sua defesa, Sócrates exorta os atenienses: “… não te envergonhas de te ocupares tão arduamente da acumulação de riquezas, honrarias e reputação, sem nada dedicardes à sabedoria, à verdade e à perfeição da vossa alma?”

Desnecessário dizer que Sócrates era mais feliz preferindo a Sabedoria e o Conhecimento a possuir riquezas ou fama entre seus compatriotas.

3 – Afeto e auto-estima

Foi o psicólogo Abraham Maslow que apresentou a teoria conhecida como a pirâmide de Maslow, na qual define a hierarquia das necessidades humanas, cinco no total. As necessidades fisiológicas e de segurança estão na base de pirâmide. O assunto foi tratado na primeira parte deste texto, quando falamos da ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Os níveis que eu acho interessante frisar agora estão no meio da pirâmide: Afeto e Estima.

Todos somos seres sociáveis, carentes de afeto e de relacionamento constante com outros da nossa própria espécie e/ou, também, com outros seres vivos, como veremos na próxima parte.

Quanto falamos de afeto, basicamente falamos de amar e ser amados. Aceitar e ser aceitos. E, também, de amor próprio, respeito, confiança e auto-estima. Se essas necessidades forem bem supridas, elas podem fornecer ao individuo a sensação de satisfação e felicidade, independentemente do seu momento financeiro ou de saúde, por exemplo.

O afeto pode ser utilizado como uma força que revigora a alma, que nos faz sorrir e que nos motiva a superar dificuldades, uma vez que percebemos que existem pessoas que, não só confiam, mas, também, dependem da nossa capacidade de superação, estão na nossa torcida e que esperam o melhor de nós.

O amor e a auto-estima têm o estranho poder de fazer as pessoas felizes.

4 – Biofilia

Foi Edward Osborne Wilson, biólogo americano, que popularizou este termo, que significa “amor à natureza” ou “amor às coisas vivas”. Osborne descreve a biofilia como uma “tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas”.

De fato, cercar-nos de seres vivos (plantas, árvores, animais etc) pode nos proporcionar bem estar e companhia, e aliviar a nossa tensão. É muito comum ver pessoas se divertindo com seus peludos ou conversando alegremente ou cantarolando com suas plantas. Desta forma, estas pessoas são felizes do seu jeito.

Agora, qual seria o motivo deste apego à vida? A resposta pode estar na origem da nossa história, há milhares de anos atrás: Supostamente, quando surgimos nas áridas paisagens da África Oriental, a proximidade com plantas e animais indicava que as nossas chances de sobrevivência era maior, pois isso representava a existência de recursos, como água e alimento para a nossa subsistência. A segurança de ter onde habitar e possuir recursos suficientes e condições favoráveis para o nosso desenvolvimento, nos faz felizes.

Isto explicaria o motivo pelo qual os tons de cinza do concreto e da poluição impactaram negativamente a vida urbana durante décadas, tornando as pessoas estressadas, sisudas e sérias demais.

5 – Por opção

Este é um ponto de vista pessoal: qualquer um de nós pode escolher ser feliz. Apesar das circunstâncias. Para constatá-lo, basta responder a seguinte pergunta: Vale a pena preocupar-se demais, chorar as penas ou viver magoado?

O ser humano é um ser incrível, que possui uma capacidade fantástica de superação. Por isso, mesmo nas situações mais controversas, não somos obrigados a nos render. Sempre é possível levantar a cabeça, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Existe ótimos exemplos entre nós, eis alguns bem populares: Nick VujicicStephen Hawking, Tony Meléndez.

É claro que escolher ser feliz fica mais fácil se contamos com as pessoas certas perto de nós. E este talvez seja o maior desafio para alcançar a felicidade de forma totalmente autônoma.

Enfim, neste post discutimos vários fatores relativos, subjetivos, materiais e de opinião que tentam mostrar o caminho da felicidade. Mas, a verdade é que cada um tem o direito de decidir o que pensa ser melhor para si. Por isso, alinhar-se ou não às ideias aqui propostas é somente mais um passo na direção da evolução do pensamento.

Leia a série completa: Cinco coisas que aprendi sobre…

About Antonio Martins Jr.
Fundador e gestor do blog Enfoquenet. Bacharel em Administração de Empresas. MBA em Gestão Estratégica. Autodidata na maior parte do tempo. Webdesigner, com ênfase no WordPress desde o início do século. Aficionado em fotografia e jardinismo.

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